A era da profissionalização do e-commerce brasileiro

O e-commerce no Brasil evoluiu muito desde a sua estreia, há mais de 20 anos, e permitiu a democratização do varejo, criando condições para o pequeno empreendedor competir com gigantes da indústria. Agora o que se vê é um movimento de consolidação e profissionalização do setor.

A ideia de que “vou abrir um e-commerce ao invés de uma loja física, pois é só criar um site e começar a vender”, que iludiu incautos nas últimas décadas, já é vista com desconfiança saudável por novos empreendedores. Afinal, criar um site e colocar o produto visível para consumidores clicarem em “Comprar” é realmente mais simples do que montar uma loja física, porém, realizar uma operação organizada, com qualidade e lucratividade depois de recebido o “clique” é algo complexo. Muita gente só percebeu isso quando já era tarde e pagou um custo alto por este aprendizado.

Mas a boa notícia é que o pequeno empreendedor pode continuar competindo com os grandes também diante desse novo cenário do e-commerce. Uma loja virtual de pequeno porte pode sim vender com qualidade, entregar com rapidez, oferecer preços competitivos e até mesmo chegar a clientes que o seu concorrente maior e mais capitalizado não consegue. Mas, para o pequeno Davi vencer Golias hoje ele precisa se preparar ainda melhor do que antes, quando o ambiente de e-commerce era ainda imaturo e pouco explorado.

Hoje há toda uma gama de ferramentas de fácil acesso para quem quiser se manter competitivo, entre elas: sistemas para comparação de preços, gestão integrada de campanhas de marketing online, plataformas e marketplaces de vários tipos (e preços), vendas multicanal, fornecedores de serviços logísticos para todos os volumes e bolsos, sistemas de pagamento, e sistemas de gestão de vendas – mais conhecidos como backoffice ou ERP. Todos esses recursos estão aí para serem usados, mas de nada adianta ter acesso a eles se não houver preparo para extrair o valor que estas tecnologias podem proporcionar.

Uma pesquisa realizada em dezembro passado pelo Mercado Livre com 913 pequenos e médios vendedores online que atuam em seu Marketplace trouxe alguns apontamentos sobre a movimentação das PMEs online em busca de soluções que as auxiliem na profissionalização de seus negócios. Entre os entrevistados, 41% afirmam que já utilizam sistema de gestão ERP. Entre os que não utilizam 87% disseram que têm interesse em receber informações sobre tecnologias que contribuam para profissionalização de seus e-commerces. Isso demonstra que, mesmo quem a ainda não investiu em tecnologia, já percebeu que será necessário fazer isso em algum momento para seguir crescendo.

Estamos evoluindo da era de “democratização do comércio eletrônico” para a era de “profissionalização do comércio eletrônico”. O pensamento “vou investir em tecnologia só depois que estiver grande” já não se justifica. O micro e pequeno empreendedor online pode testar suas vendas em um Marketplace antes de partir para sua loja própria (ou talvez nunca precise investir em loja própria, dependendo do seu modelo de negócio) e pode, desde o início, usar sistemas de gestão a custos baixíssimos ou até gratuitos para agilizar seu trabalho e reduzir as chances de erros em suas operações.

Nesse início da “era da profissionalização do e-commerce” vemos que os “Davis” têm sido, mais do que nunca, muito bem servidos de armas para atuar. Vencerão a batalha aqueles que entenderem a importância destas armas e se prepararem com afinco para usá-las bem.

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